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As Cruzadas

Os cruzados perderam Acre, sua última grande cidade no litoral do Levante, em 1291, quase dois séculos depois de o papa Urbano II convocar a Primeira Cruzada em 1095.

1 Clermont, onde Urbano II pregou em 1095, 2 Veneza, 3 Constantinopla, 4 Antioquia, 5 Edessa, 6 Jerusalém, 7 Niceia, tomada em 1097. A mar Mediterrâneo, B mar Negro, C os Alpes. O segundo mapa mostra os Estados cruzados de perto.

Uma convocação em Clermont

Em 1095 o imperador bizantino Aleixo I Comneno pediu ao papa Urbano II soldados do Ocidente para ajudar contra os turcos seljúcidas, que tinham tomado quase toda a Anatólia depois de Manzikert (unidade 2). Em 27 de novembro de 1095, ao fim de um concílio em Clermont, na França, Urbano pregou a uma grande multidão em um campo fora da cidade. Nenhum texto do discurso sobreviveu. Temos várias versões escritas por cronistas, alguns deles presentes, redigidas anos depois, e elas diferem bastante. Todas concordam que ele exortou os cavaleiros do Ocidente a ajudar os cristãos do Oriente e a libertar Jerusalém, e que prometeu o perdão dos pecados a quem fosse. Quem fazia o voto costurava uma cruz de pano na roupa. A palavra cruzada, que passou a ser usada depois, vem do latim crux, cruz; na época, falava-se sobretudo em peregrinação ou travessia.

A Primeira Cruzada e os Estados cruzados

Vários exércitos comandados por nobres partiram em 1096. Antes deles seguiu uma grande cruzada popular, mal organizada, que foi destruída na Anatólia; no caminho, bandos de cruzados massacraram comunidades judaicas de cidades da Renânia, como Mogúncia e Worms. Os exércitos principais tomaram Niceia em 1097. Balduíno de Bolonha se separou e tomou Edessa em 1098, e os demais conquistaram Antioquia no mesmo ano, depois de um longo cerco. Em 15 de julho de 1099 invadiram Jerusalém e mataram muitos de seus habitantes muçulmanos e judeus; cronistas dos dois lados registraram a matança. Os vencedores criaram quatro Estados cruzados: o condado de Edessa, o principado de Antioquia, o condado de Trípoli e o reino de Jerusalém. O mundo muçulmano estava dividido entre príncipes seljúcidas rivais e os califas fatímidas do Cairo, o que ajuda a explicar o sucesso dos cruzados. Para defender os novos Estados surgiram ordens militares de cavaleiros que viviam sob votos monásticos, os templários e os hospitalários, que construíram castelos como o Krak des Chevaliers, na Síria.

Os Estados cruzados, de forma simplificada. 1 Antioquia, 2 Edessa, perdida em 1144, 3 Krak des Chevaliers, castelo dos hospitalários, 4 Trípoli, 5 Acre, a última grande cidade cruzada, perdida em 1291, 6 Hattin, perto do mar da Galileia (1187), 7 Jerusalém, 8 Damasco, nunca tomada pelos cruzados. A mar Mediterrâneo, B deserto da Síria. As fronteiras não estão desenhadas porque mudavam o tempo todo.

Saladino e Ricardo

Edessa caiu diante de Zengi, governante de Mossul e Alepo, em 1144, e a Segunda Cruzada, que veio em seguida, fracassou diante das muralhas de Damasco em 1148. Saladino, um comandante curdo que se tornou sultão do Egito e da Síria, uniu então as terras ao redor dos Estados cruzados. Em 4 de julho de 1187 ele destruiu o exército do reino de Jerusalém em Hattin, perto do mar da Galileia. A Britannica conta que cerca de 20 000 cruzados marcharam por uma planície quente e seca, ficaram sem água e passaram uma noite sem ela antes da batalha. Em outubro de 1187 Jerusalém se rendeu a Saladino, que permitiu que muitos de seus cristãos pagassem resgate. A Terceira Cruzada (1189 a 1192), liderada por Ricardo I da Inglaterra e Filipe II da França, retomou Acre em 1191, mas não Jerusalém. Em 1192 Ricardo e Saladino acertaram uma trégua que permitia aos peregrinos cristãos visitar os lugares santos.

Cruzadas que seguiram para outros lugares

As cruzadas posteriores muitas vezes nunca chegaram à Terra Santa. A Quarta Cruzada, sem dinheiro para pagar a Veneza pela frota, foi desviada para Constantinopla e saqueou a cidade cristã em abril de 1204. Os papas também convocaram cruzadas contra muçulmanos na Espanha, pagãos ao redor do Báltico e cristãos que consideravam hereges no sul da França, como na Cruzada Albigense, a partir de 1209. Enquanto isso, os Estados cruzados encolhiam. Os sultões mamelucos do Egito tomaram Antioquia em 1268 e Trípoli em 1289, e Acre caiu em 1291. As cruzadas aproximaram os mercadores italianos do comércio com o Mediterrâneo oriental, mas também deixaram uma longa memória de violência contra muçulmanos, contra cristãos orientais e contra judeus.

ContextoUsama ibn Munqidh, um emir sírio que viveu de 1095 a 1188, deixou um livro de memórias cheio de histórias sobre os francos, como os muçulmanos chamavam os cruzados. Em uma delas ele conta uma visita a Jerusalém, onde os templários ocupavam a mesquita de Al-Aqsa, e diz que os templários, que ele chama de amigos, lhe deram um cantinho ao lado para rezar. Quando ele começou, um franco entrou correndo, agarrou-o e o virou para o leste, dizendo: “É assim que se reza!” Os templários tiraram o homem dali e pediram desculpas: era um forasteiro, explicaram, que tinha acabado de chegar do Ocidente. Usama usa a história para mostrar que os francos que viviam havia anos no Oriente se comportavam melhor que os recém-chegados.
Os números de soldados nas crônicas medievais costumam ser exagerados. Cifras modernas, como os 20 000 de Hattin, são estimativas dos historiadores.
  • 1095: Urbano II prega em Clermont, 27 de novembro
  • 1096: Os cruzados partem; massacres de judeus da Renânia
  • 1098: Edessa e Antioquia são tomadas
  • 1099: Jerusalém é tomada, 15 de julho
  • 1144: Zengi toma Edessa
  • 1187: Hattin, 4 de julho; Jerusalém se rende em outubro
  • 1191: A Terceira Cruzada retoma Acre
  • 1192: Trégua entre Ricardo e Saladino
  • 1204: Quarta Cruzada saqueia Constantinopla
  • 1291: Os mamelucos tomam Acre
CruzadaPeregrinação armada convocada por um papa; de crux, cruz
Urbano IIPapa que convocou a Primeira Cruzada em 1095
Estados cruzadosEdessa, Antioquia, Trípoli e Jerusalém
TempláriosOrdem militar de cavaleiros sob votos monásticos
SaladinoSultão do Egito e da Síria que retomou Jerusalém em 1187
Hattin (1187)Vitória de Saladino sobre o exército de Jerusalém
Quarta CruzadaDesviada para Constantinopla, que saqueou em 1204
Queda de Acre (1291)Fim dos Estados cruzados no continente
  1. Quem convocou a Primeira Cruzada em Clermont?
    • O papa Urbano II
    • O imperador Aleixo I
    • Ricardo I
  2. De onde vem a palavra cruzada?
    • Do latim crux, cruz
    • Do grego kratos, poder
    • Do árabe qasr, castelo
  3. Que cidade a Primeira Cruzada tomou em 15 de julho de 1099?
    • Jerusalém
    • Acre
    • Damasco
  4. Por que o exército cruzado sofreu antes da Batalha de Hattin?
    • Ficou sem água em uma planície seca
    • Foi pego pela neve
    • Seus navios afundaram
  5. O que a Quarta Cruzada fez?
    • Saqueou Constantinopla em 1204
    • Tomou Jerusalém
    • Conquistou o Egito
  6. Qual destes foi um dos Estados cruzados?
    • Condado de Trípoli
    • Reino de Damasco
    • Sultanato do Egito
  7. Na história de Usama, onde os templários o deixaram rezar?
    • Ao lado da mesquita de Al-Aqsa
    • Na Hagia Sophia
    • No Krak des Chevaliers
  8. Do chamado de Urbano II (1095) à queda de Acre (1291), quantos anos se passaram?
  9. Os cruzados tomaram Edessa em 1098 e a perderam em 1144. Por quantos anos a mantiveram?
  10. Coloque estes acontecimentos em ordem, do mais antigo ao mais recente.
Fontes: Fordham University Internet Medieval Sourcebook, “Urban II: Speech at Council of Clermont, 1095” (cinco versões); Britannica, “Battle of Hattin”, “Crusades”; Usama ibn Munqidh, The Book of Contemplation (trad. P. M. Cobb, 2008).
Fontes deste curso (9)
  • The Met Heilbrunn Timeline essay "The Byzantine State under Justinian I" (metmuseum.org/essays) and Met object 1993.256, Safe Conduct Pass (Paiza) in Phags-pa script
  • British Museum, "The Anglo-Saxon ship burial at Sutton Hoo" and "The Bayeux Tapestry" exhibition page (britishmuseum.org)
  • The National Archives, "Domesday Book" research guide (nationalarchives.gov.uk)
  • Britannica: "Black Death", "Mongol empire", "Genghis Khan", "Battle of Hattin"
  • Spyrou et al., "The source of the Black Death in fourteenth-century central Eurasia", Nature 606 (2022)
  • CDC Emerging Infectious Diseases, "Etymologia: Quarantine" (2013) and "Lessons from the History of Quarantine" (2013)
  • Library of Congress, The Canon of Medicine record (loc.gov/item/2021667335)
  • Fordham University Internet Medieval Sourcebook, "Urban II: Speech at Council of Clermont, 1095"
  • Natural Earth coastlines (public domain).

Data de verificação: 2026-10-17